Rio de Janeiro, 31 de dezembro de 2022

Dona Raimundinha, minha mãe,
Sua bênção!
Tá tudo bem por aí?
Preparo-me neste derradeiro dia de 2022 para lhe escrever esta carta. Aliás, prática fora de moda nestes tempos modernos. Mas, como eu sei que a senhora sempre adorou receber cartas dos filhos, que se jogaram mundo afora em busca de sobrevivência, cá estou, cumprindo esta saudável missão, com o coração cheio de carinho e afeto.
Pra começar, meus parabéns pelos seus 100 anos, que estamos comemorando hoje. Destes, 94 entre nós; já que, há seis, a senhora foi comemorar com o papai e nossos outros irmãos, aí no céu.
Nestes últimos dias de dezembro, desde o dia 20, aniversário do papai (que faria 104), nós, seus filhos, num grupo de Whatsapp que temos, rimos e nos emocionamos muito, falando sobre a senhora e o seu Gerardo Soares. A tia Toinha, sua irmã, também tá neste grupo.
Dona Raimundinha, a senhora é uma graça! E mesmo depois de sua partida, ainda estamos descobrindo coisas que a senhora aprontou por aqui. Por isso, nada de reclamar que tô escrevendo com dois dias de atraso… Sempre comemoramos seu aniversário no dia 29 e não no dia 31 de dezembro. Eu sei disso! O que eu não sabia era que a data correta é 31 e não 29; já que a senhora, por conta própria, mudou o dia do seu nascimento, devido achar que o último dia do ano é muito concorrido em festividade, e por conta disso, seu aniversário poderia “passar batido”… Essa foi boa! E, achando pouco, mudou também o ano: de 1922 para 1924. Portanto, hoje comemoramos o seu centenário e não 98 anos.
“É uma prosa, Guinã!”, diria a senhora.
Tem mais! Também diminuiu 2 anos na idade do seu irmão, o Tio Neco, que ficou uma fera ao só poder se aposentar com 2 anos de atraso. Estes esclarecimentos de datas foram feitos pelo Rômulo. Ele os ouviu da vovó.
Durante o mês de dezembro, e perto do dia das mães, há uma energia maravilhosa que circula entre nós. O Chico acabou de sonhar com a senhora. O Rômulo, também! Sabemos que estes sonhos são visitas. Eu mesmo já os tive várias vezes. Nós adoramos reencontrá-la em sonho!
O Wellington postou uma foto do Ari, entre a senhora e a Nini!
…Olhe aí a poesia que o Antônio José fez para senhora:
Vejo mamãe na calçada
Toda arrumada e bonita
Sinto mamãe abraçada
Me fazendo uma visita.
Minha mãezinha adorada
Como um filme desta fita
Olho o passo da jornada
Mamãe alegre ou aflita
Será sempre celebrada
Por esta data bendita.
Poesia é a nossa praia! Em todas as comemorações de Dia das Mães nas escolas que estudávamos, lá estavam os filhos da Dona Raimundinha, emocionando o público com belos poemas, principalmente do poeta Giuseppe Ghiaroni. Eu e o Antônio José aprendemos a recitar com a Nini, o Wellington e o Chico. Eles aprenderam não sei com quem!
Emoção é uma palavra ímpar!
Passei por uma!!! Vamos lá! A senhora partiu no dia 6 de março de 2016 em Fortaleza. Fomos à Massapê para nos despedirmos. Isso, já no dia 7. Após a despedida, voltamos à Fortaleza. Dia 8 (Dia da Mulher), eu tinha um show agendado, pela manhã em homenagem às mulheres na sede do DETRAN. Um pouco antes de começar a apresentação, eu já estando no auditório, vi na primeira fila uma pessoa uma pessoa que achei parecida com alguém de Massapê. E era! Perguntei:
– Você é de Massapê, né?!
Ela afirmou com a cabeça, e falou:
– Eu soube da sua mãe!
Eita, dona Raimundinha, não foi mole não! Danei-me a chorar. Ainda, ensaiei explicar ao público o motivo do choro, mas pedi para fazê-lo só após a apresentação. Pois, se eu o fizesse antes, não haveria condições emocionais de atuar.
Show terminado, esclareci o motivo do choro! E, naturalmente, comecei a chorar de novo!
… E por que não pedi para um colega me substituir? Este show foi contratado por uma senhora que era Ouvidora Geral do Estado do Ceará. Eu já tinha feito um para ela, e ela disse ter gostado muito. Fiquei com medo de mandar alguém no meu lugar, e, em vez de levar alegria, comprometer meu nome com o conteúdo apresentado. Coisa que, aliás, ela tinha muita preocupação. Também, achei que aquelas pessoas não tinham que saber do meu sofrimento pessoal… Mas, souberam. Ao terminar, ela me elogiou muito, e falou do meu profissionalismo e tal…
Saí feliz… e choroso! Pois, naquele Dia da Mulher; eu que tinha acabado de perder a mulher mais importante da minha vida, estava ali, sorrindo e fazendo sorrir, como se nada estivesse acontecido. Se não fora a interferência da minha conterrânea, o show teria acontecido dentro da normalidade; pra elas, é claro!
EM TEMPO! A pessoa que encontrei foi a Alja, filha do seu Coraci!
Esta situação me faz lembrar um soneto do Pe. Antônio Tomás, que sei de cor, e divido aqui com vocês:
O PALHAÇO
Padre Antônio Tomás
Ontem, viu-se-lhe em casa a esposa morta
E a filhinha mais nova, tão doente!
Hoje, o empresário vai bater-lhe à porta,
Que a plateia o reclama, impaciente.
Ao palco, em breve surge… pouco importa
O seu pesar àquela estranha gente…
E ao som das ovações que os ares corta,
Trejeita, canta e ri, nervosamente.
Aos aplausos da turba, ele trabalha
Para esconder no manto em que se embuça
A cruciante angústia que o retalha.
No entanto, a dor cruel mais se lhe aguça
E enquanto o lábio trêmulo gargalha,
Dentro do peito o coração soluça.
Mas, a senhora, minha mãe, sempre foi e continuará sendo, sinônimo de alegria. Foi da senhora, que herdamos o bom humor.
A Socorrinha, sua filha, me contou esta história, a seguir! Vê se a senhora lembra(?) Foi numa de suas idas ao médico, e ele disse que a senhora deveria perder uns 10 quilos, devido aos problemas de dores nas pernas, que sentia. Sem pestanejar, olhando na cara do doutor, que tinha o corpo meio avantajado, a senhora falou:
– E o senhor, 20!
O Gerardim pergunta-nos:
– Vocês sabem da viagem dela ao Estreito, onde um sujeito achou que ela tava velha(?)
E continua:
– Chegando lá, com o carro que o Chico deu, com motorista etc, toda arrumada, abafando, como se diz; aí, um cabra inconveniente, chegou bem perto dela e disparou:
– Vixe! a senhora é a mulher do Sargento Gerardo?
Ao responder que sim, o sujeito arrematou:
– A senhora tá muito acabada!
Ao que ela retrucou:
– E eu, que pensei que o senhor já tivesse era morrido!
Teríamos muitas histórias pra contar, rir e emocionar; mas vou ficando por aqui!
Agora, ouvindo músicas do Roberto Carlos, que a senhora tanto gostava, despeço-me.
Diga ao papai e aos nossos irmãos que estamos todos bem.
Socorrinha (a daqui de casa), Jadim e Rafa mandam beijos!
Sua bênção, minha mãe!
E parabéns!
Te amo!
Ps.: Tô no Rio, na casa do Jadim. Ele tá morando aqui. Depois lhe falo!
Jader

Disso ninguém tem dúvida: Zé da Diva é a figura mais popular e querida do Parque Araxá, bairro fincado em Fortaleza, entre Parquelândia, Rodolfo Teófilo, São Gerardo e Benfica. Agora, o bicho tá todo importante. Isso, graças ao livro lançado domingo passado, dia 27 de novembro de 2022 pelo jornalista Juracy Mendonça. Título: “Zé da Diva – 25 anos de presepadas”. Pois é! Um quarto de século botando boneco e fazendo estripulia, tendo como cenário, na maioria dos causos, os bairros acima citados.
Juracy nasceu no Pirambu, mas, tem mais da metade da vida vivida no Parque Araxá. Todo mundo do bairro o conhece. Zé da Diva nasceu no interior do Ceará, mas nunca se soube realmente qual cidade o pariu. Chegou em Fortaleza ainda meninote, e afirma, batendo nos peitos, que é mais conhecido e famoso que Juracy. O certo, é que um não vive sem o outro. Este é o criador, àquele, a criatura. Isso mesmo! Zé da Diva é um personagem criado por Juracy Mendonça em 1997, ano de fundação do seu Jornal Parque Araxá-JPA. Desde o primeiro número, Zé da Diva é uma das colunas mais lidas do JPA. E não podia ser diferente, Zé é cheio graça, mungangos e sacadas maravilhosas. O bicho é fresco!
O lançamento do livro deu-se no Casa Nossa, antigo Clube Tiradentes, no Parque Araxá, claro! Mais de duzentas pessoas compareceram ao evento, que começou ao meio-dia, acompanhado de boa música, comandada pelo maestro Conrado Dieb, e uma suculenta feijoada. Falaram, além de Juracy, o vereador Michel Lins e o humorista Jader Soares, que apresentou a obra.
O autor teve uma brilhante sacada: pegou piadas de domínio público e usou o Zé da Diva como cabide, ou seja, pendurou as piadas nele, adequando ao seu tempo e espaço. Aliás, isso é muito comum acontecer. Dos causos contados sobre o famoso Seu Lunga, do Cariri, por exemplo, pouquíssimos, realmente, aconteceram com ele. De Quintino Cunha, digo a mesma coisa. Então, Juracy foi certeiro em pegar este mote.
Que bom, se outras pessoas, nos mais diversos bairros de Fortaleza, também juntassem um elenco de piadas e pendurassem num personagem qualquer, editando um livro. Afinal, somos ou não somos a Capital do Humor? Sei que não precisaria dizer, mas, ao mesmo tempo, não custa nada lembrar… né não? Fica a dica!
O exemplar por nós adquirido, fará parte do acervo da Biblioteca Professor Raimundo (Museu do Humor Cearense), que tem mais de 3 mil livros específicos de humor.
Se você ainda não tem o livro, procure! Você vai morrer de rir!
Ao Juracy, que completou 6.5 no dia do lançamento do livro, deixo aqui meus parabéns!
E viva o bom humor cearense!
P.S.:
Para ilustrar a perspicácia do Zé da Diva, segue uma das mais de 200 piadas que tem no livro:
DEFUNTO SE MEXENDO
Zé da Diva, durante uma bebedeira, perguntou aos amigos que estavam ao seu redor:
– No dia em que vocês morrerem, no velório, quando vocês estiverem dentro do caixão, o que queriam ouvir dos parentes e amigos?
Chico Cotôco afirmou:
– Eu queria ouvir alguém dizendo: Chico Cotôco era um cidadão honesto, bom pai, bom marido…
Anacleto acrescentou:
– Queria que dissessem: Anacleto era um sujeito legal, que não fazia mal a ninguém…
Aí Zé da Diva, rebateu:
– Pois no meu velório, eu queria que alguém dissesse: Olha, o defunto tá se mexendo!

Estive no Bodega do Lailtinho na TV Verdes Mares (Globo Ceará) em maio de 2022. Confira aí como foi bom!
Por Jader Soares

Foi no dia 7 de setembro de 1947 que Chico Anysio estreou como artista. Tinha 16 anos, cara de 12; isso, sendo muito otimista. O menino era miúdo, esquelético e o pé que era um chibata! De cima à baixo formava um “L” como ele mesmo dizia. Chico achava que tinha talento para fazer graça. Mostrava seu potencial em casa para a família e também para os amigos do futebol. Era doido por bola! Em casa, a irmã Lilian dava uma corda danada para ele se inscrever num programa de calouros. O pessoal do futebol, idem!
Então pronto! Fez a inscrição no Programa Papel Carbono, de Renato Murce, na Rádio Nacional do Rio de Janeiro. Preparou um número com 32 imitações de vozes de gente famosa da época, e mandou ver! Fez bonito! Tirou o primeiro lugar.
Contando assim parece ter sido tarefa simples, mas não foi! Na ocasião, o menino suava, e tremia mais do que vara verde. Quando falava sobre este dia, sempre dizia que sua estreia “foi uma parada”, referindo-se ao 7 de setembro.
O interessante é que calhou de 7 de setembro ser um dia importantíssimo para o rádio brasileiro. Foi exatamente nesta data do ano de 1922, aniversário de 100 anos do Grito do Ipiranga, que o rádio fez sua primeira transmissão no Brasil, do alto do corcovado, no Rio de Janeiro. Hoje, 7 de setembro de 2022, data do bicentenário da Independência, o rádio também está sendo comemorado, e, apesar da TV e da Internet, ele continua vivo. Aliás, mais vivo do que nunca!
Será que no céu tem rádio? Se tem, com certeza, hoje, no horário nobre, tem um programa especial sobre os 75 anos da estreia de Chico Anysio.
Chico e rádio, rádio e Chico, uma mistura que deu certo!

… Depende!
Se o camarada é jornalista isto é a coisa mais comum que existe. Aliás, neste caso, o difícil é acontecer o contrário. Ter a obrigação de entregar uma matéria ou um artigo para o próximo jornal, revista ou blog é sinônimo de pão na mesa. E que arte, é a arte de escrever! Repare que a frase dita é uma afirmação, não uma pergunta.
Botar palavras no papel é desenhar numa tela virgem.
As palavras estão aí, que nem pincel e tinta, só que (cuidado com a cacofonia) poucos sabem pintar. E muitos dos que pintam não entendem patavina sobre a harmonia das cores.
Quem sabe escrever e não escreve, deixa de registrar ideias que se perdem… Aliás: para onde vão as ideias que temos e não escrevemos ou contamos para alguém? Será que se acumulam no inconsciente coletivo? Eu não sei! Só sei de uma coisa: a partir de hoje, 26 de agosto de 2022, escreverei todo dia! Isso é uma promessa! Não significa dizer que cumprirei o que tô dizendo; ainda mais que, por coincidência o Horário Político Gratuito no Rádio e na Televisão, começou hoje!
Mero acaso!
Vou escrever todo dia!
Eu prometo!

Eita, que chegou abril!
E quando o mês de abril dá as caras, o cearense já sabe que é chegada a hora de abrir caminho para àquele sorrisão; afinal, abril é o Mês do Humorista. E, por conta disso, comediantes cearenses se reúnem mais uma vez para comemorar o DIA NACIONAL DO HUMORISTA. O local escolhido para a festa do riso é o palco do belo CINETEATRO SÃO LUIZ, localizado, na Praça do Ferreira, bem no coração da cidade.
12 de abril é a data exata. Pois, foi no dia 12 de abril de 1931 que veio ao mundo, na cidade de Maranguape, uma criança magrinha, pequenininha, sobre a qual o pai, Coronel Oliveira, falou: “Este aí num vinga!” Mas vingou! Vingou e tornou-se o maior humorista brasileiro. E a homenagem é toda para ele!
Chico faleceu no dia 23 de março de 2012, há exatos 10 anos.
E a entrada? Se você não sabia, fique sabendo: A ENTRADA será de GRAÇA! Uma maneira de agradecer e presentear ao público tão generoso com nossos artistas do riso, oportunizando a muitos que não tem condições de pagar um ingresso para ver um espetáculo, assistir a shows variados.
A data foi idealizada por iniciativa dos humoristas cearenses. Existe Lei municipal (Fortaleza), estadual (Ceará) e nacional (Brasil). O Dia do Humorista é comemorado desde o ano de 2004, sempre com um grande show, envolvendo pelo menos 40 humoristas.
O evento, que está dentro da programação do aniversário de 296 anos da cidade de Fortaleza, nossa bela capital, tem apoio da SECULTFOR e SECULT-CE.
Diante do atual quadro de Pandemia da COVID-19, adiantamos que seguiremos todos os protocolos e instruções das autoridades sanitárias do estado do Ceará na data de realização do evento.
EXPOSIÇÃO
Segunda-feira, dia 11 de abril, as 19h, dentro da programação comemorativa ao Mês do Humorista, o Museu do Humor Cearense abrirá suas portas para mais uma homenagem a Chico Anysio. Será a EXPOSIÇÃO 10 ANOS DE SAUDADE, indicando o tempo já passando sem a presença do humorista no plano terreno.
A Exposição ficará em cartaz até dia 28 de abril, Dia da Sogra, onde haverá também o show de encerramento das comemorações do Mês, no Teatro Chico Anysio. Na ocasião, humoristas contarão invariavelmente, piadas de sogra.
Alguns dos Humoristas confirmados
Titela, Severina Guet, Superedson, Luan Damasceno, Lezadim, Elvis Preto, Sparguet, Veia Cômica, Zebrinha, Megdal, Delegado, Zé Bolão, Colorau, Ronaldo, Marmita, Tom Leite, Francisquinha, Rosinete, Esquema, Mexerico, Oscabrito, Manguaça, Paçoca, Fubá, Pepeta, Chocolate, Cibalena, David Moraes, Rafael Leite, Isaias Lourenço, Zeca Estrada, Leide Daiana, Froxilda Fofolete, Aloisio Junior, Luiz Neto, Eri Soares, Oscabrito, Gil Soares, Zé das Tapiocas, Seu Sérgio e Motoka.
SERVIÇO:
Dia Nacional do Humorista
Data: 12 de abril de 2022
Duração: 4 horas
Classificação Indicativa: 10 anos
Horário: de 16h às 20h
Entrada: De graça!
Informações:
Museu do Humor Cearense/Teatro Chico Anysio
Jader Soares (85) 999 91 0460

Anualmente, dia 1º de abril, acontece em Fortaleza o Festival de Mentiras, debaixo do Cajueiro Botador (Cajueiro da Mentira), na Praça do Ferreira, rememorando a história dos potoqueiros das antigas. Este ano, o evento voltou a ser presencial; já que ano passado, devido a pandemia da COVID-19, o mesmo aconteceu no formato virtual, e em 2020, sequer aconteceu.


O grande vencedor do 33º Festival de Mentiras foi o filho de Ocara, Antônio Geílson. O vencedor botou no bolso nada mais e nada menos que 1 Real. Isso mesmo: 1 Real. Em 2° Lugar ficou o folclorista e locutor de rádio e Televisão Silvino Neves, que faturou 50 Centavos. E em 3°, Zé das Tapiocas. Tapiocas já foi campeão 4 vezes; ou seja, já embolsou 4 Reais, que, somando-se aos 25 centavos que recebeu pela terceira colocação deste ano, soma um total de R$ 4,25.
Quando os organizadores estavam estendendo o banner de fundo de palco com a divulgação do 33° Festival de Mentiras, Antônio Geílson, um camarada que aparenta 30 anos de sofrida idade, sorriu um riso necessário, já que, sendo morador em situação de rua, estabelecido ali mesmo na Praça do Ferreira, talvez não tenha muito motivo para sorrir… Mas, sorriu, e falou: “Rapaz, tem 3 messes que cheguei por aqui… mas, este negócio de 1 Real de prêmio é muita gaiatice! Eu vou participar!” Participou e ganhou. Enquanto participava, esqueceu de tudo, inclusive que era morador de rua, e participou de forma intensa de todo o desenrolar do Festival. Deu até entrevista para duas emissoras presentes ao evento: TV Ceará e TV União, e, de quebra, ainda foi caricaturado por Jaílson, artista presente ao evento e que deu um brilho especial ao Festival, fazendo uma caricatura a cada 5 minutos! Antônio Geílson teve seu dia de glória!

Este ano, como inovação, a organização do evento além de pagar prêmios no total de $ 1,75, também CERTIFICADO a cada mentiroso participante. No Certificado, além do Cajueiro da Mentira, também esta estampado o Troféu Pantaleão, personagem loroteiro de Chico Anysio.
15 mentirosos se inscreveram e participaram do Festival: Ronaldo Cornélio, Silvia Sapo, Glauber Pinheiro, Silvino Neves, Rafael Leite, Antônio Gleilson, Gainete Neto, Rubens Brito, Francisco Helton da Silva, Zé das Tapiocas, João Mateus, Tom Leite, José Alberto da Costa, Claudemir Silva e Raimundo Neves.
A organização foi do Escritório do Riso, Museu do Humor Cearense e Museu do Caju. O humorista Zebrinha comandou a festa!
O Festival de Mentiras abriu a programação das comemorações do Dia do Humorista. Mas aí, é outra história…
SERVIÇO:
33º FESTIVAL DE MENTIRAS
LOCAL: Praça do Ferreira
Horário: 17h
Informações: 85 999 91 0460 (Jader Soares Zebrinha)


Anualmente, dia 1º de abril, acontece em Fortaleza o Festival de Mentiras, debaixo do Cajueiro Botador (Cajueiro da Mentira), na Praça do Ferreira, rememorando a história dos potoqueiros das antigas. Este ano, o evento volta a ser presencial; já que ano passado, devido a pandemia da COVID-19, o mesmo aconteceu no formato virtual.
Não precisa correr! As inscrições acontecerão uma hora antes do Festival, de baixo do pé de caju.
Este ano, como inovação, a organização do evento vai dar um CERTIFICADO a cada mentiroso participante. No Certificado, além do Cajueiro da Mentira, também esta estampado o Troféu Pantaleão, personagem loroteiro de Chico Anysio. Também teremos prêmio em dinheiro para os 3 primeiros colocados. Aliás, um prêmio fenomenal, totalizando Um Real e Setenta e Cinco Centavos em moeda corrente do Brasil, assim distribuído:
1º Colocado R$ 1,00
2º Colocado R$ 0,50
3º Colocado R$ 0,25
O prêmio será pago na hora, sob forte esquema de segurança.
Qualquer pessoa poderá disputar; menos, quem for candidato nas eleições deste ano.
Para participar, basta preparar uma boa mentira, pegar o microfone e soltar o verbo.
Quem vai escolher o Maior Mentiroso do Ano será o público, através de aplausos, vaias, gritos, gemidos, estalos de dedos, assobios ou outra manifestação qualquer de apoio ao seu mentiroso preferido.
A organização é do Escritório do Riso, Museu do Humor Cearense e Museu do Caju.
O Festival de Mentiras abre a programação das comemorações do Dia do Humorista. Mas aí, é outra história…
SERVIÇO:
33º FESTIVAL DE MENTIRAS
LOCAL: Praça do Ferreira
Horário: 17h
Informações: 85 999 91 0460 (Jader Soares Zebrinha)

Por Jader Soares – Humorista
Existe hora certa para alguém partir desta para a “melhor”? Uns dizem que sim, outros, que não! Mas, quem somos nós para entender os desígnios da sorte ou da morte?
O ser humano nasce para permanecer na terra por um período médio de 75 anos. Mas tem uns que ultrapassam os 100. Já outros não chegam a fase adulta. E por aí vai! O certo é que tem morte para todo intervalo de idade.
E há mortes mais sentidas que outras. Isso depende de uma enormidade de fatores em torno de quem parte: por que parte, como parte, e com que idade tá deixando esta vida para trás.
Vou deter-me aqui sobre a morte do humorista Chico Anysio, que se foi aos 80 anos e 345 dias de idade, há exatos 10 anos, numa tarde do dia 23 de março de 2012. Quando Chico morreu eu não pensava assim, mas hoje, é assim que penso: CHICO MORREU NA HORA CERTA!
Chico respirava humor e era genial no humor inigualável que fazia, sempre prezando pelo social; sendo a voz do povo pobre e sofrido deste país chamado Brasil. E você sabe, né?! quando a denúncia é feita com graça, atinge em cheio e melindra o denunciado, para o deleite e felicidade geral de quem sofre com a ação do explorador. Que poder extraordinário tem o humor!
Mas, por que afirmo que o filho de Maranguape partiu na hora certa? Falo isso porque, sendo Chico um ser intenso (e bote intenso nisso!) em tudo que fazia, não consigo visualizar conforto do mestre, diante da onda das redes sociais, onde o FLA x FLU está instalado… e olhe que Chico era doido por futebol, tendo inclusive sonhado um dia “ser craque da pelota ao se tornar rapaz”.
Vamos lá! Peguemos um simples exemplo, elegendo um dos 209 personagens que Chico tinha: Salomé… àquela senhorinha chique de Passo Fundo, RS, que sempre ligava para o presidente de plantão! O primeiro a receber chamadas foi Figueiredo (João Batista de Oliveira Figueiredo), o último presidente do regime militar instalado em 1964: “João Batista… como vai, guri?” Aí, depois veio Sarney, Collor, Fernando Henrique, Lula e Dilma. Dilma, foi a última presidente a atender as ligações da Salomé.
Agora, imagine você, se a gaúcha ainda estivesse por aqui, e ligasse para o “mito”?! E, depois daquela conversa inicial, que sempre era amistosa, viesse, no finalzinho do telefonema a seguinte pergunta: “É verdade que quando vocês estão num restaurante em família, a conta é dividida por todos, ou seja, é bem rachadinha?! Ué! Desligou!!!”
Seria um Deus nos acuda nas redes sociais! Xingamentos etc, coisa e tal!
E isso com certeza tiraria Chico do sério!
Parar de criar e fazer graça, não pararia. Talvez até tentasse se adaptar aos novos tempos; mas, com a impulsividade que tinha de produzir, acredito que a imbecilidade e os comentários sem eira nem beira, o fariam refletir, e talvez, até calar-se!
Chico morreu na hora certa!
8 de março.
No lar de Antônio José Rodrigues Cavalcante, a comemoração vai além dos parabéns para Patrícia, Ivete e Maria, as mulheres da casa, afinal, o dia é delas; porém, é dele também! É que calhou de Antônio José nascer justo num 8 de março. Na época do seu nascimento, ainda não havia a data como comemoração do Dia Internacional da Mulher, instituído que foi, pela ONU, na década de 70 do século passado.
Ele é de 62. Como estamos em 2022, o filho do seu Hugo e dona Ivete, está completando, hoje, 60 anos, fechados. Se tivesse teimado em ser jogador de futebol, já estava com as chuteiras penduradas pelo Calouros do Ar. Mas, o moço, apesar de gostar de jogar bola, preferiu marcar seus gols em outras redes: Globo, Record… Virou artista. Humorista.
Com vinte e poucos anos, Antônio José deixou de ser Antônio José para ser TOM CAVALCANTE, nome sugerido por seu colega de rádio João Inácio Júnior. Com 30, a metade da idade que está completando hoje, Tom dá o seu grande salto na carreira, estreando na Escolinha do Professor Raimundo da Rede Globo de Televisão, levado por Chico Anysio. “Feche a conta e passe a régua”, bordão propalado a cada aula pelo impagável João Canabrava.
Tom faz 60 anos com jovialidade!
Tem nome respeitado nacionalmente, e goza de amizades, as mais ilustres do meio artístico. Sabe chegar, ficar e sair numa boa! E, naturalmente, ainda tem muita lenha pra queimar! Para ser sincero, acho que tá com gás de quem está começando; porém, com uma vantagem incrível, que é a bagagem de 40 anos de risos.
Tom, que a maturidade destes seus 60 anos, nos dê a esperança de que ainda teremos muitos risos pela frente!
Parabéns!
Jader Soares
Humorista e pesquisador de Humor. Diretor do Teatro Chico Anysio e Museu do Humor Cearense.
Os vencedores do Festival dos 80 anos da Vaia ao Sol
1° Lugar: Sandra Durand
2° Lugar: Pedro porfírio (o garoto)
3° Lugar: Rafael Aires
Eita, que hoje nós botamos foi quente no Sol!
E num foi não, é?!
Manhã deste último domingo de janeiro do ano de 2022, a Praça do Ferreira foi mais uma vez, palco do Festival da Vaia ao Sol; fato este acontecido, de verdade, há exatos 80 anos: dia 30 de janeiro de 1942.
Durante o evento não choveu, porém, havia um certo receio que isso acontecesse, já que, choveu, quinta, sexta, sábado e ainda um pouco nesta manhã de domingo! Mas que nada! Tava lá o bichão todo se exibindo e pronto para ser vaiado! E como foi!
Vinte pessoas se inscreveram e participaram do Festival. A participação de cada um foi rápida, o bastante para se dirigir ao microfone e soltar o berro. Uns, com certeza, nem de microfone precisariam! Pense num povo pra gritar alto! Isso mesmo: gritar; porque a vaia quanto mais gritada, mais percebida é.
Os participantes foram: Herbston Freitas Robrigues, Rafael Aires de Souza, Raimundo Nonato de Oliveira, Sandra Durand, Mauro Torres Uchôa Filho, Pedro Porfírio, Antônio Régio Rodrigues Lima, Marjorie Cristine, Jorge Richie, Silvinho Gurgel, É Hoje, Sérgio Quixadá, Ramon da Silva, Cornélio Tavares, Amarildo Jucá, João Fábio, João Pedro, Paulo Soares, Gigante Isaac e Raul Monteiro.
Para a Final do Festival foram: Sandra Durand, Pedro Porfírio e Rafael Aires. E quem levou a melhor foi Sandra Durand, que botou a macharada toda no bolso. Ainda teve a participação de outra mulher: Marjorie Cristine. Quem ficou em 2° Lugar foi o garoto Pedro Porfírio. Rafael Aires, ficou em 3°.
O evento foi promovido Pelo Museu do Humor Cearense, Escritório do Riso, Teatro Chico Anysio, Sindicato dos Humoristas e Associação dos Humorista Cearenses. E quem comandou a festa foi o humorista Zebrinha.
Contada as vaias, entre apresentações e manifestações do público foi superada a marca de 80. 80 era a meta. Uma pra cada ano.
O humorista Tom Leite deu uma canja, e cantou uma quadrinha feita especialmente para falar da vaia ao sol.
Jader Soares, Zebrinha lançou um cordel, falando dos 80 anos da vaia. Iúúúúúúúúúúú!
I

O que é uma data importante? Depende do seu ponto de vista. Para o Humor do Ceará, o dia 30 de janeiro é uma data da maior importância, e que tem uma simbologia pra lá de irreverente. Foi neste justo dia que o povo, reunido, sem combinação prévia de local ou horário, resolveu vaiar o astro rei; que, na ocasião, parecia cansado e não mais queria dar o ar da graça. Sumiu por três dias, e quando apareceu, recebeu a sonora vaia. Coisa de cearense. Coisa que só acontece aqui. Coisa inusitada. Peculiar.
O local onde aconteceu o feito histórico não poderia ser outro: Praça do Ferreira, centro da molecagem cearense. O mesmo local onde circulou Quintino Cunha, Leota e Bode Iôiô. É lá também que tá fincado o Cajueiro da Mentira, com placa e tudo, onde acontece anualmente, dia 1º de abril, um Festival de Mentiras.
Neste 2022 o aniversário da Vaia ao Sol ganha um sabor especial por ser uma comemoração de data fechada: 80 anos. A vaia aconteceu no dia 30 de janeiro de 1942.
E o que acontecerá? Numa realização do Escritório do Riso, com apoio do Teatro Chico Anysio, Museu do Humor Cearense, Associação dos Humoristas Cearenses-ASSO-H e Sindicato dos Humoristas-SINDIHUMOR, os profissionais do riso vão estar na Praça as 11h, e entre brincadeiras, piadas e causos, vaiarão o sol por 80 vezes!
Acontecerá também o Festival da Vaia. Qualquer pessoa pode participar. Inscrição na hora do evento: DE GRAÇA. O Campeão ou campeã ganhará um CERTIFICADO COMEMORATIVO, e também uma grande vaia…
Ainda na ocasião, o humorista Jader Soares, que organiza o evento, lançará o Cordel 80 Anos da Vaia, que conta como tudo aconteceu. É a terceira vez que o humorista organiza esta festividade; sempre, de 10 em dez anos, a saber: nos 60, nos 70 e agora, nos 80 anos!
E se chover??? Tem problema nenhum… a gente vaia a chuva também!
SERVIÇO:
Evento: 80 Anos da Vaia ao Sol
Local: Praça do Ferreira
Dia: 30 de janeiro de 2022
Horário: 11h
Realização: Museu do Humor Cearense
Informações: 3252 3741 – 999 91 0460 (Jader Soares)
LITERATURA DE CORDEL
Autor: Jader Soares (ZEBRINHA)
80 anos da Vaia ao Sol
1
Me lembro bem direitim
O dia, a hora, o local
Do que aqui vou contar
Pra alegrar o pessoal
Uma história engraçada
Que você vai dar risada
Se não rir não é normal.
2
Fique tranquilo, segure
O Cordel em sua mão
Não trema, não se encabule
Leia alto, use o pulmão
Compartilhe a todo povo
Se quiser, leia de novo
Não se arrependerá não.
3
A história é a da Vaia
Que pra você vou contar
Aconteceu bem aqui
No Estado do Ceará
Foi na Praça do Ferreira
Eu num tô de brincadeira
Cê tem que acreditar.
4
A Praça, cê sabe bem
Que fica em Fortaleza
É a mais bela de todas
É lá com toda certeza
O centro da molecagem
Travessura, fuleiragem
Zombaria e artisteza.
5
Que vaia? Vaia no Sol
Ou ao Sol, fica melhor
Eu vaiei, mamãe vaiou
Vaiou vovô e vovó
Vaiou o rico, o pobre
Vaiou plebeu e o nobre
Quem não vaiou, ficou só.
6
O motivo? Foi que ele
O astro rei referido
Permitiu uma chuva grossa
Passou três dias escondido
E depois, todo abusado
Quis de volta seu reinado
Ficou com dor no ouvido.
7
Menino, uma nuvem negra
A cidade escureceu
O dia virou foi noite
Três dias inteiros de breu
O mar emendou com a praia
E o sol levou grande vaia
Quando ele apareceu.
8
Foi nos mil e novecentos
Ano de quarenta e dois
Em janeiro, dia 30
Eu tava comendo arroz
De tudo tô me lembrando
E pra você tô contando
Oitenta anos depois.
9
O sol disse: – Vou sair
Antes que mais chuva caia
Não esperava, porém
Lá embaixo tal gandaia
Se encabulou e sumiu
O povo se reuniu
E meteu aquela vaia.
10
– Aparece seu covarde!
Disse um cabra ameaçando
– Desce daí se tu é homem!
Disse um bebo gaguejando
Nunca o sol foi tão xingado
Que ficou acabrunhado,
Depois acabou brilhando.
11
Era no tempo da guerra
A Segunda, Mundial
Mas, em vez de ir pra batalha
Ser morto sem funeral
É serviço mais maneiro
Vaiar o sol trapaceiro
Realmente é mais legal.
12
Veio gente de todo canto
De caminhão e de pé
Veio Ciço do Juazeiro
Francisco do Canindé
Pra tudo ficar normal
Quem também veio de Sobral
Foi o Bispo Dom José.
13
Apareceu pescador
Com rede e com anzol
Gente com frio danado
Enrolada com lençol
Mas não deu pra aguentar
E o povo do Ceará
Botou foi quente no Sol.
14
O Bode Iôiô quando ouviu
Aquela vaia do além
Fugiu logo do Museu
Subiu num vagão do trem
Parou bem no meio da praça
Olhou, berrou, achou graça
O vaiou o sol também.
15
Quem via tudo e curtia
Era Leonardo Mota
Fumando um charuto grosso
Derrubando uma meiota
Misturada com limão
Caneta e papel na mão
O Leota tudo anota.
16
Quintino Cunha subiu
Em cima de uma mesa
Fez discurso, sol já posto
Quente, com toda firmeza
Falou pru sol escutar:
“Cê num venha mais frescar
Com o povo de Fortaleza”
17
Ceará, Terra do Sol
Isso na pele se sente
Não é que seja ruim
Só que aqui tá tão quente
Que às vezes fico a pensar
Parece que o sol está
É se vingando da gente.
18
Por isso estou aqui
Lhe convidando pra praça
Venha cá se divertir
Venha mostrar sua raça
Vai ter humor de primeira
Vai ter muita brincadeira
Venha se abrir, achar graça.
19
Lá também vai ter concurso
E vai ter premiação
Para a vaia mais gaiata
Que tiver mais emoção
Vá treinando, ensaiado
Tudo que ver vá vaiando
Não fique de fora não!
20
E se na Praça passar
Um sujeito amarmotado
Diferente, esquisito
Assim meio atrapalhado
Se alguém ver, se aperceber
O que vai acontecer
É que ele vai ser vaiado.
21
O direito de vaiar
É próprio do cidadão
Vaia até o time que torce
E o cearense, então!
Vaia queda, vaia enterro
Vaia acerto, vaia erro
Vaia político ladrão.
22
Tá no sangue deste povo
A molecagem latente
O bom humor sempre ativo
Sempre bem vivo e presente
Viva o povo do lugar
Viva o meu Ceará
Viva a graça desta gente!

Por Jader Soares* (Idealizador da data)


Você não sabe não? Pois eu lhe conto, e é agora!
Vamos lá! A ideia de criação do Dia do Humorista surgiu de um estalo que tive, numa tarde qualquer no início do ano de 2003.
Estava eu, balançando-me numa rede de tucum, no Escritório do Riso, que é o escritório do Teatro Chico Anysio, do qual sou diretor, aí, num sei de onde me veio a indagação: “Se tem dia de tudo, por que não tem Dia do Humorista?”
De imediato, levantei-me da rede e corri para o computador. Redigi um ofício para a Assembleia Legislativa do Estado do Ceará, mais precisamente para o Deputado Artur Bruno, que era o Presidente da Comissão de Educação e Cultura da casa.
No ofício, a solicitação da criação do Dia do Humorista, onde indiquei o 12 de abril, como apropriado para tal. Motivo da escolha: Nascimento de Chico Anysio, o maior humorista do Brasil.
Para ampliar o engajamento da classe humorística nesta demanda, falei com vários colegas pessoalmente, e para outros, liguei, pedindo para assinar o ofício. Na realidade, não foi bem assinar, mas sim, autorizar que eu colocasse seus nomes no documento. E assim foi feito.
Depois da criação do Dia do Humorista, com publicação no Diário Oficial do Estado do Ceará em julho de 2003, passei a realizar um grande evento anual, na citada data, envolvendo pelo menos 40 humoristas por ano, num show que começa sempre as 16h e vai até 20h. A primeira vez que aconteceu o evento foi no ano de 2004, já que a Lei é de julho de 2003. De lá para cá, todo ano acontece. (esqueçam 2020 e 2021, que por conta da COVID não aconteceu). Depois da Lei estadual, veio a Lei Municipal (Fortaleza) e por fim a Lei Nacional (Brasil). Veja abaixo datas de suas publicações.
Lei Estadual nº 13.317 de 02/07/2003 (Ceará)
Lei Municipal nº 9518 de 23/10/2009 (Fortaleza)
Lei Federal nº 13.082 de 08/01/2015 (Brasil)
Como já falei, a Lei Estadual é do deputado Artur Bruno (sancionada pelo Governador Lúcio Alcântara). A Lei Municipal, da vereadora Eliane Novais (sancionada pela Prefeita Luiziane Lins) e a Lei Nacional do deputado José Airton, do Ceará (sancionada pela Presidente Dilma).
Em janeiro de 2003, no Centro de Convenções do Ceará, na abertura de um grandioso evento chamado: Ceará Riso Fest, do qual eu era o mestre de cerimônia, diante do público, e na presença de vários colegas humoristas, tive a honra de entregar a Chico Anysio uma Placa Comemorativa do Dia do Humorista. Ele se emocionou, viu?! E eu fiquei morto de feliz!
Jader Soares escreve aos domingos sobre Histórias do Humor Cearense, desde 02 de JAN de 2022
*Jader Soares é humorista, pesquisador de humor, escritor e diretor do Teatro Chico Anysio, Museu do Humor Cearense e Presidente da Associação dos Humoristas Cearenses.